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Pode namorar não membro? O que os líderes ensinam e o que a vida mostra

Quando penso em como cheguei à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, não consigo separar essa jornada de uma história de amor, não apenas o amor por uma pessoa, mas o amor que fui desenvolvendo pelo Senhor ao longo do caminho. E é exatamente por isso que sinto no coração de compartilhar essa experiência: porque sei que não sou a única que já se viu diante da pergunta delicada de namorar alguém fora da Igreja, ou de ser essa pessoa de fora.

O que os líderes ensinam

Antes de entrar nas histórias, é importante entender o contexto. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ensina que o casamento eterno no templo é uma das bênçãos mais sagradas que um membro pode receber. Os líderes orientam os membros a namorarem pessoas que compartilhem os mesmos valores e padrões do evangelho, não por exclusividade, mas porque acreditam que um lar fundado nos mesmos convênios tem uma base mais firme para a eternidade.

Isso não significa que namorar um não membro seja proibido. Mas significa que essa escolha carrega uma responsabilidade séria: a de manter os próprios padrões, ser honesto sobre as expectativas e, acima de tudo, buscar a orientação do Senhor em cada passo.





O presidente Dallin H. Oaks disse:

“Meus jovens amigos solteiros, nós os aconselhamos a canalizar suas associações com o sexo oposto em padrões de namoro que tenham o potencial de amadurecer para o casamento.”

O conselho dos líderes é um convite ao discernimento. E as histórias que quero contar são, justamente, sobre o que acontece quando levamos esse discernimento a sério.

O email que mudou minha vida

Conheci meu esposo antes de ele ir para a missão. Havia algo ali, uma amizade, uma conexão, mas ele foi claro: não manteria nenhum compromisso com alguém que não era membro da Igreja. Ele conhecia os padrões que queria viver e não abriria mão deles. Naquele momento, respeitei isso. E segui minha vida.

Três anos se passaram. Ele estava no meio da missão quando me enviou um email. Não era um email romântico, era um testemunho. Ele compartilhou sua jornada como missionário, o que estava aprendendo, o que estava sentindo. Para ele, era um ato de amor ao próximo: plantar uma semente.

Para mim, que já havia passado por outras duas religiões e carregava uma certa cautela no coração, aquilo não me abalou de imediato. Mas respondi. E começamos a nos comunicar como amigos. Eu fazia perguntas sobre a Igreja. Ele respondia com alegria genuína, sem pressão.

Com o tempo, ele percebeu que aquele trabalho de responder às minhas perguntas não era dele, eu não estava na área de missão dele. Então ele passou meu contato para os missionários locais, que começaram a visitar minha casa.

Foi aí que algo mudou em mim. Quando os missionários começaram a me ensinar, parei de responder aos emails dele. Senti que precisava separar as coisas: não queria confundir a busca pela fé com sentimentos que ainda poderia nutrir por aquele rapaz. Queria saber se o que estava encontrando era real, não motivado por nenhum coração humano, mas pelo Senhor.

Continuei orando, estudando e buscando um testemunho. E então, no meio de uma lição, senti o Espírito muito forte confirmando tudo aquilo que aqueles jovens missionários estavam me ensinando, não dava mais para debater e nenhuma dúvida era maior do que o que eu senti. No dia anterior à minha entrevista batismal, escrevi um email para ele. Não para reacender nada, mas para pedir que orasse por mim, porque eu havia decidido me batizar.

Imagino que, do outro lado da tela, aquele missionário ficou muito feliz, ele já compartilhou comigo que teve medo de que eu nunca tivesse a oportunidade de conhecer a Igreja por ele não ter tentado me ensinar antes.

Quando ele voltou da missão, decidimos namorar. Dessa vez com os dois entendendo os padrões da Igreja, com o mesmo objetivo de buscar ao Senhor, e com a maturidade de quem passou por um processo de transformação real.

Hoje temos 10 anos de casados e selados no templo, três filhos, e seguimos nos esforçando para fazer a vontade do Senhor, servindo na Igreja e vivendo com o coração voltado para Ele.

A história de Natasha e Carlos: A amizade que plantou uma semente

Minha amiga Natasha conheceu Carlos no ensino médio. Tudo começou com uma amizade simples, mas com o tempo os sentimentos foram crescendo. Antes que qualquer tentativa de namoro fosse feita, Natasha o convidou para ir à Igreja.

Ele foi, aprendeu sobre o Evangelho e decidiu se batizar. Após o seu batismo, eles começaram a namorar, mas o caminho não foi linear. Desafios apareceram, e em um determinado momento o relacionamento chegou ao fim. Foi então que veio o teste real para Carlos: sem o namoro como motivação, sem ela do lado, o que ele faria com a fé que havia recebido?

Ele permaneceu firme, encontrou amigos que o sustentaram. E ambos decidiram servir como missionários na Igreja de tempo integral. Concluíram suas missões e, ao se encontrarem, decidiram tentar novamente, dessa vez com mais clareza sobre quem eram e o que queriam.

Hoje têm 8 anos de casados, dois filhos e uma família eterna. A história deles me ensina algo precioso: quando a fé é genuína, ela sobrevive ao fim de um namoro. E é justamente aí que você descobre se a conversão foi pelo coração ou pela emoção.

Uma história que não teve o mesmo final

Há uma terceira história. E ela é diferente.

Uma outra amiga conheceu um rapaz que se mostrou interessado na Igreja, após ela falar sobre os seus padrões. Ele aprendeu, se batizou, e eles se casaram. Mas, após o casamento, aquele homem foi se revelando diferente do que aparentava.

O que antes poderia ser julgado como timidez se mostrou má vontade de servir e estar junto com ela na Igreja e crescer junto com ela para formarem uma família eterna. O afastamento da Igreja veio, e com ele vieram outros problemas sérios, como infidelidade e outros mais e, eventualmente, a separação dos dois aconteceu.

Minha amiga continua firme no Evangelho e eu sei que logo encontrará alguém que mereça estar ao seu lado. Mas ela esteve muito perto de ser levada por alguém que não tinha o mesmo objetivo que ela: servir a Cristo e seguir Seus mandamentos.

Conto essa história não para assustar, mas porque ela carrega uma verdade importante que precisamos encarar com honestidade: não basta a pessoa se batizar. O que importa é o esforço com que ela demonstra querer viver aqueles padrões depois do batismo. Uma conversão genuína transforma o coração, e essa transformação se vê no dia a dia, nas escolhas pequenas, na consistência.

O que aprendi com tudo isso

Essas três histórias me ensinaram que a questão de namorar um não membro não tem uma resposta simples de “pode” ou “não pode”. Ela exige discernimento, oração e muita honestidade consigo mesmo.

O período do namoro é uma preparação para o casamento. A forma como a pessoa amada age durante o namoro revela muito sobre quem ela é. E isso vale tanto para quem acabou de se batizar quanto para quem é membro desde que nasceu, ter crescido na Igreja não garante que o coração foi transformado por Cristo.

Não basta compartilhar uma fé; é preciso compartilhar um compromisso. O Evangelho como elo de um casamento só funciona quando os dois estão genuinamente dispostos a viver o que o Senhor espera, não por obrigação, mas por amor a Ele.

O amor ao Senhor deve estar acima de todas as coisas. Quando esse amor é a base, ele orienta as escolhas no namoro. Quando os sentimentos humanos assumem o controle sem essa âncora, é fácil se perder.

Busque a orientação do Senhor, não apenas a aprovação dos seus sentimentos. Sentimentos são reais e importam, mas eles não são suficientes sozinhos. A oração sincera e a busca pelo Espírito Santo são o melhor guia que qualquer membro pode ter nessa jornada.

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Deixa que o Senhor escreva sua história

Se você é membro e está namorando alguém que não pertence à Igreja, ou se você é um não membro aprendendo sobre o Evangelho enquanto nutre sentimentos por alguém, saiba que o Senhor vê o seu coração. Ele conhece a complexidade da sua situação.

O convite dos líderes não é para ignorar os sentimentos, mas para elevá-los, para que o amor que você constrói aqui seja digno de durar para sempre.

E se a pessoa ao seu lado está disposta a seguir Cristo com você, de verdade, no dia a dia, nas dificuldades, então essa é uma fundação que vale a pena construir.

Famílias eternas começam com escolhas eternas!

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Post original de Maisfé.org

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