O segredo de uma família unida há 100 anos, segundo o Presidente Oaks
Mais de 600 pessoas, distribuídas em sete gerações, se encontraram em 4 de julho de 2026 em Joe’s Valley, uma região isolada no centro de Utah, para uma tradição de família que já dura mais de um século. No meio dessa multidão estava o presidente Dallin H. Oaks, que, aos quase 94 anos, participava dessa reunião bienal pela primeira vez na condição de profeta e presidente da Igreja.
Tudo começou com Abinadi e Hannah Seely Olsen, que se casaram em 21 de fevereiro de 1887. Oito anos depois, já pais de três filhos pequenos, Abinadi aceitou um chamado para servir como missionário em Samoa, decisão que o casal tomou sem hesitar, apesar dos desafios óbvios para uma família tão jovem.
A mãe de Abinadi, sem saber quase nada sobre a ilha do Pacífico para onde o filho iria, despachou-o com vários pares de meias de lã na bagagem. A missão durou três anos e meio.
O casal teve, ao todo, onze filhos, cinco meninas e seis meninos. Uma delas, Jenny, viveu apenas 11 dias, depois de nascer prematura ao lado do irmão gêmeo, DeLon. Os outros dez filhos formaram suas próprias famílias, e é dessa raiz genealógica que hoje brota o encontro de Joe’s Valley, sempre realizado no mesmo rancho que Abinadi colonizou, no mesmo fim de semana, a cada dois anos.

Um bisneto que também é profeta
O presidente Oaks é bisneto de Abinadi e Hannah, e frequenta esse encontro de família há 85 anos, com raras exceções. “Estando perto de completar 94 anos, suponho que sou o mais velho entre os descendentes vivos de Abinadi Olsen”, contou ele durante a reunião deste ano.
“Minha avó, Chasty Olsen, era a mais velha entre os filhos de Abinadi, e minha mãe era a mais velha entre os filhos de Chasty. Eu sou o mais velho entre os filhos da minha mãe, e assim temos o mais velho do mais velho do mais velho, ao longo de sete gerações.”
Foi também em Joe’s Valley que ele retomou, dessa vez em tom bem mais familiar, um ensinamento que já havia compartilhado na Conferência Geral de outubro de 2025, quando a Igreja celebrou os 30 anos de “A Família: Proclamação ao Mundo“:
“A doutrina de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias centraliza-se na família”, disse na ocasião, completando: “A Igreja de Jesus Cristo é muitas vezes conhecida como uma igreja centralizada na família. E ela realmente é.”
Diante dos próprios parentes, ele foi além:
“A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é uma igreja voltada para a família, e isso não significa apenas que nos unimos como família durante a vida na Terra, nós começamos como família, filhos espirituais de pais celestiais. E o mundo foi criado para o benefício dos filhos de pais celestiais, e isso inclui todas as pessoas que nascem nesta Terra.”
Para ele, esse é justamente o propósito de encontros como aquele: “O que fazemos em uma reunião familiar é fortalecer nossa crença em Deus e em Seu plano eterno de salvação.”

O que faz as pessoas voltarem, ano após ano
Entre vôlei, pescaria, uma represa improvisada no rio, fogueiras e um leilão em família, os participantes deste ano também percorreram uma caça ao tesouro pelo rancho, aprendendo um pouco mais da própria história a cada parada.
Em um dos pontos, estava exposta a última carta que Abinadi Olsen escreveu à família, com um conselho que atravessou gerações:
“Não se ofendam facilmente uns com os outros. Lembrem-se de que cada um de vocês tem uma cruz para carregar, que ninguém está em posição de julgar o outro. […] Por fim, até breve, não adeus. Em breve nos encontraremos novamente.”
A irmã Kristen Oaks, esposa do presidente Oaks, observou que a força desse tipo de encontro está em unir parentes que nem sempre estão no mesmo ponto do caminho do convênio. “Há uma grande variedade de pessoas, cada uma em um ponto diferente do caminho.
Como isso está enraizado na crença em Jesus Cristo, muitas vezes as próprias pessoas nem percebem por que se sentem atraídas para cá. […] Elas sabem que sentem amor. Sabem que se sentem aceitas”, disse.
Tiffany Bratt, neta do presidente Oaks, resumiu de forma simples o que faz o encontro valer a pena: não são as atividades organizadas, mas o tempo junto. “Vindo para cá, passamos bastante tempo com a família”, contou.
“Construir uma represa para fazer um lugar para nadar, atravessar o rio com os primos, pescar, pescar com o vovô, sentar ao redor da fogueira contando histórias.”

“Não precisa ser um rancho histórico”
Nem toda família tem um lugar como Joe’s Valley, e o élder Ryan K. Olsen, Autoridade Geral Setenta e segundo conselheiro na presidência da Área América Central, também descendente de Abinadi e Hannah, fez questão de deixar isso claro. Para ele, o que importa não é o cenário, mas a constância.
“Eu diria isso aos santos na América Central ou em qualquer parte do mundo: encontrem qualquer lugar para se reunir. Pode ser em um parque. Pode ser na casa de um parente. Pode até ser em uma capela”, afirmou. “Mas, se vocês encontrarem um lugar aonde voltam com constância, todo ano ou a cada dois anos, isso vai se tornar uma tradição. E, no fim das contas, não é sobre o lugar […], é sobre as pessoas que se reúnem.”
Um aniversário de 250 anos no meio do encontro
A data deste ano teve um significado extra: 4 de julho de 2026 marcou os 250 anos de independência dos Estados Unidos, e a celebração se misturou à reunião de família, com bandeiras hasteadas e hinos e canções patrióticas entoados ao longo do dia.
Não é coincidência: a família Olsen também carrega um histórico de serviço nas Forças Armadas americanas, e o presidente Oaks aproveitou para traçar um paralelo entre esse tipo de compromisso e o que se vive dentro da Igreja: “O espírito de todos esses relacionamentos é que nos ajudamos uns aos outros, e não estamos nisso apenas pelo que vamos ganhar. Estamos nisso pelo que temos a contribuir.”

Uma gratidão específica — e um testemunho antes de ir embora
Durante um culto devocional com a família, o presidente Oaks admitiu que, perto de completar 94 anos, suas emoções ficam mais à flor da pele. Ele quis agradecer, especialmente, aos descendentes de DeLon, o irmão gêmeo de Jenny, a bebê que não sobreviveu.
Quando jovem adulto, DeLon enfrentou um período de depressão econômica na região, quando propriedades vizinhas foram perdidas ou executadas por dívidas. “[DeLon] dedicou seu salário a pagar os impostos, para que este rancho não fosse perdido”, relembrou o presidente Oaks.
No mesmo culto, ele resumiu em três pontos por que considera a Igreja restaurada “a única Igreja verdadeira sobre a face da Terra”:
- Ela possui a plenitude da doutrina de Jesus Cristo, incluindo o propósito da vida terrena;
- Possui a autoridade do sacerdócio, que classificou como “essencial para a obra de Jesus Cristo”;
- Restaurou o conhecimento sobre a verdadeira natureza do Pai Celestial e do Salvador, “a Expiação de Jesus Cristo nos garante que teremos a oportunidade de nos qualificar para a vida eterna, que é o maior de todos os dons de Deus”, disse.
Já se despedindo do encontro, o presidente Oaks deixou ao Church News uma última reflexão, quase como um resumo de tudo o que viveu naquele fim de semana em família:
“Quando digo que sei que o evangelho de Jesus Cristo é verdadeiro, estou falando de algo que conheço tão bem quanto sei que vivo, respiro, penso e desfruto das bênçãos de Deus e do conhecimento do Seu plano para Seus filhos. E quem torna tudo isso possível é o nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador e Redentor.”
Fonte: Church News
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Post original de Maisfé.org
