Fraturei meu pé na missão e descobri o propósito que Deus tinha para mim
Em julho de 2022, recebi meu chamado missionário para servir na Missão Brasil Vitória. Eu estava muito ansiosa e, ao mesmo tempo, extremamente animada. Desde que fui batizada, sentia que servir missão era algo que eu precisava fazer. Meu maior desejo era servir ao Senhor, ajudar as pessoas e crescer tanto pessoal quanto espiritualmente.
Em agosto, quando cheguei ao campo missionário, fomos recebidos pelo Presidente e Sister Turner, meus primeiros líderes de missão, e também por nossos treinadores. Logo no primeiro dia participamos de um devocional de boas-vindas que foi muito especial. Senti o Espírito de maneira muito forte. Eles falaram sobre a importância do nosso chamado e do nosso propósito como missionários. Também tivemos a oportunidade de compartilhar nosso testemunho de Jesus Cristo.
No final do devocional, a Sister Turner entregou um envelope para cada missionário e pediu que escrevêssemos nossas metas pessoais para a missão: aquilo que mais desejávamos alcançar durante aquele período. Lembro de olhar para o papel e pensar: “O que eu mais desejo neste momento?”
Naquela época, fazia anos que eu me perguntava qual era a minha verdadeira vocação. Eu gostava de muitas áreas diferentes, mas nunca conseguia decidir qual caminho seguir, e isso me preocupava bastante. Então escrevi uma das minhas principais metas: “Encontrar minha verdadeira vocação.” Também escrevi outros objetivos relacionados ao meu crescimento pessoal e espiritual.
Fechei o envelope e o entreguei. A Sister Turner nos disse que, ao final da missão, ele seria devolvido para que pudéssemos ver se havíamos alcançado aquelas metas.
O tempo passou, e a missão começou a me ensinar muito mais do que eu imaginava. Aprendi a amar ainda mais as pessoas. Sentia uma grande alegria ao ensinar o evangelho e servir ao Senhor. Todos os dias eu procurava dar o meu melhor e me esforçava para cumprir meu chamado com todo o meu coração.
Até que, um dia, tudo mudou.
Durante um P-Day de distrito, estávamos participando de algumas brincadeiras. Em uma delas, eu precisava correr e ser bastante ágil. O chão estava um pouco escorregadio e eu não estava usando um calçado adequado. Acabei escorregando e senti meu pé torcer. No mesmo instante, ouvi um estalo muito forte.
No começo, eu não entendi exatamente o que havia acontecido. Curiosamente, a dor ainda não era tão intensa, mas percebi que meu pé estava inchando muito rápido, de uma forma que eu nunca tinha visto antes. Tentei dar alguns passos, mas ouvi outro estalo e senti uma dor muito forte. Foi nesse momento que percebi que algo realmente estava errado.
Fui imediatamente para o hospital. Eu nunca havia quebrado um osso antes, então não fazia ideia do que esperar. No início, pensei que fosse apenas uma lesão simples e fiquei preocupada imaginando que talvez não pudesse andar por alguns dias. Mas, quando o médico me informou que eu havia fraturado o pé, fiquei completamente devastada.
Não seriam apenas alguns dias sem caminhar. Seriam meses.
Naquele momento, muitas perguntas passaram pela minha cabeça. Eu não poderia mais sair para ensinar as pessoas como antes. Como eu iria cumprir meu chamado? Como poderia continuar vivendo meu propósito como missionária?
Nessa época, eu já tinha um novo presidente de missão: o Presidente Barbosa. Ele foi extremamente atencioso comigo e fez tudo o que pôde para que eu continuasse servindo de acordo com minhas novas circunstâncias. Ele me chamou para servir como Sister de Mídia.
Nessa função, eu poderia trabalhar entrando em contato com referências, administrando a página da missão e ajudando na divulgação do evangelho. Além disso, continuei ensinando pessoas por videochamadas, algo que foi uma grande bênção naquele período.

Oportunidades que surgem em meio as dificuldades
Enquanto cuidava da página da missão, passei a pensar constantemente em maneiras de levar o evangelho a mais pessoas por meio das redes sociais. Gravava vídeos ensinando princípios do evangelho, convidava outros missionários para gravarem seus testemunhos e mensagens, editava os vídeos e criava conteúdos que pudessem alcançar ainda mais pessoas.
Por sorte, eu já tinha um conhecimento básico de edição, o que me ajudou bastante nesse trabalho.
Foi durante essa experiência que percebi algo muito importante.
Eu realmente amava criar conteúdos e cuidar das redes sociais da missão.
Pela primeira vez, senti que havia encontrado aquilo que queria fazer profissionalmente. E então entendi que, justamente por causa daquela experiência tão difícil, o Senhor estava me ajudando a descobrir a resposta para uma oração que eu fazia havia anos.
Precisei voltar para casa dois meses antes do fim da missão para continuar minha recuperação, mas finalizei meu serviço como missionária de serviço. Mesmo com todas as limitações, pude ensinar muitas pessoas, ajudar pessoas a conhecerem o evangelho e acompanhar algumas delas até o batismo.

Procurei mais “luz e conhecimento” e encontrei minha vocação
Quando minha missão terminou, a primeira coisa que fiz foi me matricular na BYU-Pathway para estudar Marketing Digital e Comunicação.
Alguns meses depois, consegui um trabalho exatamente nessa área, no Mais Fé, onde atualmente atuo como social media.
O que mais amo no meu trabalho é saber que posso usar os conhecimentos que adquiri durante a missão, desenvolver os talentos que o Senhor me deu e continuar compartilhando o evangelho, apenas de uma forma diferente.
Hoje, quando olho para trás, percebo que todas as experiências que vivi, tanto as boas quanto as difíceis, me trouxeram até aqui. Consigo ver claramente que o Senhor esteve ao meu lado em todos os momentos, mesmo quando eu não entendia o motivo das coisas estarem acontecendo.
Aquela fratura parecia, na época, o fim de um sonho. Mas hoje percebo que ela também foi o início de um propósito que Deus já estava preparando para mim.
Essa experiência me ensinou que sempre podemos aprender, crescer e encontrar motivos para sermos gratos, mesmo nos momentos mais difíceis. Muitas vezes, Deus responde às nossas orações de maneiras que nunca imaginaríamos.
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Post original de Maisfé.org
